Um levantamento da Casa da Mulher Brasileira no Maranhão aponta que, em média, são recebidos 300 pedidos de medidas protetivas por mês contra casos de violência doméstica no estado. Por dia, o serviço leva segurança a cerca de dez mulheres.
Desde que começou a funcionar no estado, já foram realizados mais de 190 mil atendimentos para diversos crimes que tem as mulheres como principais vítimas. Com a tecnologia, os meios de denúncia para casos relacionados a este tipo de violência foram ampliados.
Hoje, as mulheres podem registrar casos de violência por meio do telefone 190 e do aplicativo ‘Salve Maria Maranhão’. Além disso, as mulheres também podem solicitar medidas protetivas contra seus agressores através da Delegacia Online.
“A casa da mulher é uma delas, a Patrulha Maria da Penha, o aplicativo Salve Maria Maranhão, que pode ser baixado no celular e a polícia pode acionada em tempo real, sem que a mulher diga o endereço, o que está acontecendo, ela só precisa instalar esse aplicativo. A mulher pode hoje fazer seu boletim de ocorrência em casa e o pedido de medida protetiva em casa. Lembrando que esse pedido salva vidas, ela funciona e é respeitado”, explica Susan Lucena, diretora da Casa da Mulher Brasileira.
Casos de violência doméstica no Maranhão tem como apoio a Casa da Mulher Brasileira — Foto: Reprodução/TV Mirante
Casos de violência doméstica no Maranhão tem como apoio a Casa da Mulher Brasileira — Foto: Reprodução/TV Mirante
Weslayne Corrêa é mais uma das vítimas desse tipo de violência cruel. As marcas de tiro no rosto são profundas e acompanham ela desde o dia que virou refém do ex-namorado.
O ex-namorado de Weslayne a sequestrou, levou para um motel em São Luís e após horas de negociação com a polícia, atirou contra o rosto dela. A motivação do crime foi o fim do namoro de oito anos.
“Eu perdi a visão total do lado direito e o olfato também (…) não conseguia me ver, não conseguia me olhar no espelho, porque eu era uma pessoa totalmente normal e hoje não, eu sou uma pessoa com deficiência e foi difícil, foi muito difícil. Hoje eu já consigo aceitar um pouco mais o que aconteceu”, disse Weslayne Corrêa, autônoma.
Weslayne Corrêa levou um tiro no rosto do ex-namorado. — Foto: Reprodução/TV Mirante
Weslayne Corrêa levou um tiro no rosto do ex-namorado. — Foto: Reprodução/TV Mirante
O acusado foi absolvido do júri popular realizado em 2019. Entretanto, após um pedido do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), o júri foi anulado.
Nesta semana, uma roda de conversa realizada no bairro Divinéia, em São Luís, tratou sobre a importância da saúde mental das mulheres. O debate fortaleceu às mulheres da comunidade a necessidade de perceber os diversos tipos de violência que podem ser praticados como a física, psicológica e a social.
“Sendo que a violência psicológica agora está sendo criminalizada, é um grande avanço porque é esta violência que acompanha as demais violências. Por inúmeras situações é esta violência que faz com que a mulher se sinta diminuída, se sinta culpada, as vezes ela acha”, explica Susan Lucena.
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