Adoro sonho. O creminho de recheio, a massa fofinha, o açúcar fininho cobrindo tudo. Nham. Na padaria da vida, ele sempre foi meu doce favorito. Sempre teve meu amor profundo, muito mais que os pastéis de belém, as fatias de bolo, as bombas francesas.
Embora elas sejam bem mais vistosas, com aquele açúcar e o chocolate foscos dizendo “me come” na vitrine, a calmaria e a segurança dos sonhos cativam e me fazem continuar fiel ao creminho, à massa, ao açúcar. Team sonho forever o/.
Só que isso não significa, no entanto, que eu deixe de notar a presença da bomba ali. Que eu deixe de sonhar com a bomba. De pensar na bomba. De piscar pra ela toda vez a caminho do caixa com meu saquinho de sonhos na mão.
Tipo o mundo, né.
Quando a gente tem um relacionamento legal, calmo, com recheio de creminho e açúcar fininho cobrindo tudo. O conforto, o conhecido, o sabor cotidiano. Daí vem a tentação da bomba forçando a gente a questionar as decisões.
E olha que o mundo é pior que a padaria. que na Bela Flor Paulista até tem umas cinco ou seis bombas expostas, mas, na vida, benza Deus, é uma oferta de bomba nova a cada esquina. E é cada bomba vistosa, musculosa, perfumada, alta, com braços fortes, alguém me acode. É bomba na rua, no trabalho, no facebook, na academia, no mercado, na farmácia.
Óbvio que incita a dúvida e confunde.
Será que eu fiz a melhor escolha?
Não é que o sonho seja ruim, entende? Ele tá gostoso e a gente se diverte com ele. Mas é que, putz, será que não seríamos mais felizes comendo bomba?
Uma amiga me abordou justamente com este questionamento por estes dias. Sofrendo com o impasse do fico com o sonho ou arrisco a bomba. Apresentei meus argumentos, defendi com carinho o sonho, e até mesmo expliquei que, um dia, quando ainda era jovem, eu já fui de consumir tudo ao mesmo tempo, sonho, bomba, justamente por não conseguir me decidir. E que, hoje, mais calma e mais focada, optei pelo doce que, acho, me traz mais benefícios no final das contas.
Óbvio que não adiantou nada. Que ela continuou sofrendo com a bomba exposta. Mas prometeu pensar e não tomar decisões impensadas. Até porque, eu acrescentei a ela, vai que ela arrisca tudo, faz a troca do doce e, nhac, ao morder a bomba ela é farelenta e com pouco açúcar.
Decepção, né? Vontade de voltar pro sonho. Pro calorzinho, pro quentinho, pro seguro. Só que aí, amiga, ao fazer no balcão aquele pedido de sempre, corre-se o risco de ouvir aquela frase clássica, mas muito significativa numa situação como esta.
Sinto muito, fulana, mas o sonho acabou.
O O sonho acabou Blog Bonitinha, mas Ordinária.

