É preciso assistir “La La Land”
Fui ao cinema esperando um bom filme, recheado de referências aos clássicos norte-americanos. Musicais, claro. Segui para a fila com em pleno processo de análise insolente, quase uma arrogância “eu-já-sei-o-que-vai-acontecer-e-como” . Fila boa. Gosto desse cinema. O shopping descolado com várias salas exibindo filmes para plateias exigentes, o capuccino e cheiro de pipoca amanteigada, tribos e pequenos diferenciais no ambiente devolvendo a importância do espetáculo que é a exibição de um filme.

divulgação
Houve um tempo em que todos os cinemas contavam com uma cortina vermelha antes da tela branca. Como um “espetáculo”. As cortinas se abriam enquanto as luzes se apagavam. Hora do silêncio, do “shhhh”, alguns pigarros. Respeito. As salas de dinema de assisti La La Land não são tão rígidas, mas o respeito está sempre lá. Alguns cinemas me aproximam dos atores, do enredo, da indústria pela sua frequência e cuidado. Pessoas que gostam de cinema, respeitam o cinema.
Arrebatador
Logo de cara 0 tremendo e já bastante comentado plano-sequência, ou “ilusão” de plano sequência, ou, ou ou, faz a gente querer estar naquele congestionamento, misturada àquelas cores vivas respirando o otimismo dos bailarinos, cantores, contorcionistas e cinegrafistas voadores (ou, ou, ou… e daí?). Ponto positivo. Falaram tanto… não foi decepcionante. Não, não. Foi muito bom. E quando você acha que vai demorar para acontecer alguma coisa, acontece tudo. Emma Stone em mais uma sequência inesperada. Surpresa boa. O filme continua bom, olha só…
E depois da cena de Emma Stone… ah… não pára mais. Me encolho humilde e envergonhada na poltrona. Aperto a mão de meu companheiro que retribui o gesto. Estamos comovidos. E as sequências continuam. E continuam, e continuam….
Cidade dos Sonhos
Los Angeles, Los Angeles… Pessoas comuns, sem grana e sonhadoras. La La Land fala de correr atrás dos seus sonhos impossíveis, lutar, vencer o inimigo invencível. Quantas pessoas neste mundo terrorista e economicamente aflito ousam sonhar? Arrisco: todas. Quantas assumem ou se envergonham da “fraqueza de amar” é outra história. Esse filme me pôs ao chão. Parei de raciocinar. O sentimento tomou conta e assim fui durante toda a viagem para a Cidade das Estrelas; um pouco mais de duas horas numa imersão deliciosa como há muito tempo não acontecia. Excelente fotografia, Direção, Canções, Interpretações, Figurino, Cenografia… maiúsculas para tudo isso.
Não é passado.
Temos cores, carros diferentes, e celulares que tocam na hora errada, na hora certa, Temos jazz, temos talento, temos uma história de amor. De amizade. De fé. De verdade. Tudo sobre o que nos falta atualmente. Aquelas qualidades humanas empurradas para baixo do tapete que neste caso é mágico, voa e descobre o que podemos e gostaríamos de ser.
A arte do encontro…
…mudando o destino, fazendo valer. Três minutos mudando uma vida. Duas horas terminando uma história. É preciso ver La La Land. E sentir-se num espetáculo, com vontade de aplaudir. De saber quem fez tudo aquilo acontecer. Que grande cara, esse Damien Chazelle Diretor do espetáculo. 32 anos. Dá gosto, orgulho de uma geração. Inteligente, inovador, competente, sensível, corajoso. Humano.
Bye-Bye, So long, Farewell
Uma história de amor. Um amor de história. Capricho. A estranha melancolia que faz a gente sorrir. O bem, afinal. Nos sentimos cúmplices aqui da história que só os protagonistas conhecem em La La Land. Esse aprochego, essa cumplicidade é um segredo de sucesso. Um blockbuster parecer só nosso não tem explicação, não, não, não tem.
Fonte: Carmen Farão

