A coleira de Antonia e a estranha necessidade de ostentar um dono
Antonia vai usar coleira com as inciais de Jonathan. Luma foi pioneira no adereço polêmico
Lá se vão 17 anos desde que Luma de Oliveira cruzou a Marquês de Sapucaí como rainha de bateria da escola de samba Tradição usando uma coleira com o nome de seu então marido, o então bilionário Eike Batista. Era 1998, Luma era uma das deusas do olimpo carnavalesco e Eike, apesar de já muito bem-sucedido, não passava de marido da Luma. A morena estonteante, que para os holofotes como irmã da atriz Isis de Oliveira e galgou com salto alto e samba no pé os degraus da fama, deixou muita gente chocada com o gesto.
Um mulherão daqueles se exibindo para o mundo com uma coleira no pescoço, ostentando o nome de seu dono, como um cachorrinho de madame. Gritava Luma, com aquele adereço, que era propriedade de um homem tão habituado a aumentar seu patrimônio. A seu lado, na avenida, Eike fazia as vezes de um sultão exibindo sua conquista mais preciosa, orgulhoso do material e desfrutando da fama no sambódromo.
Agora, pleno 2015, Antonia nelle, que ficou conhecida mais por ter sido casada com o falecido diretor Marcos Paulo do que por qualquer atuação como atriz, revelou que vai usar uma coleira feita de ouro rosé e brilhante negro também com as iniciais do atual namorado, Jonathan Costa, no desfile da Grande Rio. Inspirada joia semelhante usada por Katy Perry, a coleira já está causando burburinho.
Claro que, a princípio, ninguém tem nada a ver com isso. Antonia pode fazer e usar o acessório que bem entender. Mas é simbólico demais ver uma mulher usar uma coleira com o nome do homem com quem mantém um relacionamento. Precisa disso? Coleira é coisa de cachorro, usada com guia, para mostrar ao bicho quem dá a direção e quem é que manda. Ver uma mulher se orgulhar de sair por aí com o nome do seu macho uma coleira gera um inevitável mal-estar.
Há muitas formas mais sutis de demonstrar afeto, carinho e dedicação. Antonia já fez uma tatuagem com as iniciais de Jonathan, com quem namora há três meses, o que me parece uma prova de amor precipitada, eternizada, mas muito comum. Mulheres apaixonadas costumam ser viscerais mesmo. Agora, sair por aí com uma coleira pra marcar território, definitivamente, é de dar vergonha.
Sem falar que o sentimento de posse masculino, que continua a fazer com que os homens acreditem que são donos de suas mulheres, é o principal estopim de violência doméstica, de acordo com o professor da Faculdade de Sociologia da USP Gustavo Venturi, um dos organizadores da pesquisa ‘Mulheres Brasileiras de Gênero nos Status Público e Privado” (Ed. Fundação Perseu Abramo). Não me parece uma boa ideia incentivar esse comportamento. Cachorra tem dono. Mulher, não.
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Fonte: Blog da DB