A Ignorância Feliz ou a Consciência Atormentada

Como diria Maria Bethânia (by Gonzaguinha, Sir):

São tantas coisinhas miúdas, comendo, roendo, arrasando aos poucos com o nosso ideal…

Saltemos de uma canção de amor atormentado para a realidade que nos cerca e os desejos que nos mantém de pé. Desejos de sorte de um amor tranquilo. Desejos de que o belo se sobreponha às imagens terríveis de violência e perdição jorrando das telas pequenas, médias, grandes, portáteis, espertas… Difícil não se atormentar com uma visão de realidade imposta. Basta abrir a janela para ver o lindo azul de outono que um grito vem, um acorde, um suspense, mais uma tragédia aconteceu.

Claro que dói.

Penso muito e sempre no papel do comunicador. Na importância desacompanhada de consciência que perturba. Creio que já passamos da fase “celebridade”, visto que todos o são, em seus grandes ou pequenos espaços. As estrelas e outrora já mostram sinais de cadência num samba descompassado. A esmagadora maioria seguindo o tempo, adaptando-se à história recente como deve ser (?). Camaleões de seu espaço e tempo, alguns continuam dando certo com as fórmulas já vistas, mas nunca desgastadas. As novas estrelas contam histórias dos desvalidos e comovem, se comovem. Repito que não há história que já não tenha sido contada. A diferença é a maneira, a forma como você vai recontar a mesma história. E para isso é preciso muito mais talento do que os livres e deliciosos pioneiros das ideias.

Vantagem de um pais Sem Memória

Criativos duram mais. Os que conseguem ver o óbvio que os outros não enxergam, ouro. Qual o momento exato de repetir a fórmula? Quem assumirá o papel diante das câmeras? Qual a grande revelação? Como reinventar o “elo perdido”? Não tem mais Hebe, Flávio, Abelardo e sua democracia deliciosa, palco dividido com reis e plebeus da música. Bancada julgadora eclética, parça do povo mesmo. Dias de glória. Novamente o papel do comunicador e do veículo. A política da não educação para que as fórmulas perdurem, funcionando por mais e mais tempo.
Simples seria se não estivéssemos vivendo a banalização da violência gravada e publicada em s de relacionamento como se no seu “próprio canal” pudesse tudo.  A vida como quiseram que fosse. que “a vida como ela é” é cheia de dramas psicológicos, dúvidas cruciais, encontros e desencontros, mas não essa carnificina cultuada todos os dias, em todas as janelas. Banalizamos a morte. Simples assim. E o perigo não  é “pivilégio” dos desvalidos. O perigo está para todos. Pode acontecer com qualquer um em qualquer lugar.

Ignorar e ser Feliz?
Pararemos de pensar sobre tais banalizações. Sigamos a vida nos carnavais, micaretas com picaretas. Vamos parar o dia por uma partida de futebol. Um churrasco, uma breja, uma boa piada e a confissões sobre sair do pais. Ai, é muita coisa pra pensar, muita consciência pra pesar… a vida está curta, cada vez mais rápida. Não, não… vamos aproveitar o que podemos enquanto podemos. Fazer o quê? A vida é assim. Se tornou assim. Vamos nos fechar em nichos familiares e recorrentes e discutir se o churrasco de berinjela depende do tempero. Se vamos comer carne envenenada ou não. A vida pode acabar logo ali, não é mesmo? Estamos num continente de não é possível planejar por muito tempo. À não ser que você tenha o dinheiro para isso e compre sua liberdade no mundo. A busca, então, por dinheiro.

Consciência Atormentada
Quem precisa saber que o mundo vai acabar? quê fazer murchar esperanças? Pra quê o sofrimento de não conseguir colaborar com o que pode ser feito? Pra que sofrer? Pra que saber? Que tormento! Impossível não. Quem se preocupa com o que tem sido mostrado, ensinado e não dividido? A guinada está no quarto poder. No quinto também. Infelizmente não há sinalização de tal interesse. Talvez lá fora. Trump? Talvez tenha vindo para rodar moinhos de vento…

A opção pela felicidade é sua. Suas escolhas, a poeira que vai sacudir, a volta por cima.
Deus é o Tempo que tudo descortina, mostra. Querer ser uma pessoa não o torna essa pessoa. Tomar uma distância dos fatos e enxergá-los como são ou foram, é um processo de amadurecimento. Quando chegar a hora do grande asteróide, ou dos homenzinhos coloridos, ou máquinas, quando a vida imitar a arte, quem sabe também façamos parte dessa encenação e nos unamos, países autônomos por um bem maior: salvar quem destrói? Aguardemos. Alguns terão a sorte desse momento. Outros a mesma sorte de não.

A maior glória é aprender, perdoar. E reconhecer que tudo foi válido. Tirar lições do recolhido ao longo do tempo. Não se revoltar. A sorte está nas mãos de outro, porque o timão da história está sempre em suas mãos.

Por isso, viva.  Não prejudique o outro, não se prejudique.

Tenha coragem e seja bondoso. O resto vem. Desabrocha. Faça sua escolha. Humildemente, acredito que um pouco lá, um pouco cá nos faça não perder a vontade de devolver a visão àqueles que há décadas lobotomizados por impulsos elétricos perderam seus valores. É preciso que os bons se juntem mesmo.  Difícil viver sem razão. Mortífera razão. Sejamos felizes  ainda que conscientes. Essa coisa que o otimismo traz é milagrosa.

Assistam filmes clássicos. Séries lúdicas. Mas não se esqueça do seu olhar ao redor.

 

&nbsp
&nbsp

Fonte: Carmen Farão