A Psicologia da Mentira
“Quem tiver olhos para ver e ouvidos atentos pode convencer-se de que nenhum mortal é capaz de manter segredo. Se os lábios estiverem silenciosos, a pessoa ficará batendo os dedos na mesa e trairá a si mesma, suando por cada um dos seus poros! “ (Sigmund Freud)
Partimos do princípio que a vaidade é o melhor pecado de Louis Cypher. Quando ao acertarmos a mão num projeto ou apresentação ficamos rodeados de admiradores, a vaidade torna-se mentora dos nossos quereres. Não sou eu a dizer, está escrito. Leia Freud, teoria comportamental, algo sobre coaching e liderança. Procure enxergar as tentativas não dar bandeira que os vaidosos da vez dotados de certa relevância e consciência cultural acham conveniente. A vaidade brilha em torno deles até nesse momento. Modernos, interessantes, inteligentes, criativos e… vaidosos. Não que haja problema no sentir-se poderoso. Nenhum. A questão é o resultado da soma entre vaidade e poder.
Mudar a vida de uma pessoa. Salvá-la ou condená-la. Isso é poder
Nossa cultura latina nos ensina a admirar mártires. Heróis sofridos cuja história com final trágico são impressas em figuras aterrorizantes de corpos desmembrados, objetos de tortura, troncos, correntes, chibatas, forca e loucura. Heróis que lutaram por nós e que não tiveram lá um final muito estimulante, que nos inspire a seguir sua ideologia. Prova disso é o modelo da Lei de Gérson numa propaganda de cigarros na década de 80 que viralizou antes da internet, amalgamou before the selfies, imprimiu bem antes da comunicação global. Como uma deusa, tomou posse do seu lugar no jeitinho brasileiro e perdura até hoje, ainda que esquecida.
Lei de Gérson:
Se o negócio é levar vantagem em tudo, explicatum est meninões dormindo nos bancos do metrô e ônibus enquanto grávidas e velhinhos se equilibram entre uma freada brusca e outra. As filas mesmo para lugares marcados como se fossem os s. A vaidade dos poderosos que acreditam ter valor de fato diante de uma história de vida real e vivem no tempo como se ele não fosse passar ou ainda, como se soubessem ou fossem mais do que outros possam ser. O poder, como se vê a cada manchete política atualmente, muda de lado. O poder só dura enquanto há interesse. Não vale ser humilde num nicho, agradável para poucos, simpático para os favoráveis.
Rodeados de Dr. Jackyll e Mr. Hyde, precisamos urgentemente da honestidade de Nise da Silveira, do arrojo de Carmen Miranda, da verdade bem humorada do Henfil e do seu irmão. Que voltem todos. Divulguem o que vale a pena. Façam valer a pena. Nem tudo é festa. Nem tudo é dor. Antes que – mitômanos – acreditem em suas próprias mentiras. Aqui assumo o compromisso de resgatar nossos personagens de real valor para que, como aconteceu quando deixei o cinema após Nise – O Coração da Loucura, nos lembremos com suavidade que temos em quem nos inspirar. Sucesso não é evidência. Ou poder. Ou cargo. Ou título. Sucesso é Nise. É uma loucura.
Fonte: Carmen Farão