De Tanto Ver Triunfar Nulidades
Vamos falar difícil. Fica mais bonito, impactante. Impressionável.
De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto. (Rui Barbosa – 17/12/1914)
Rui Barbosa
Há quase cento e dois anos na grande pátria desimportante assim falava Rui Barbosa no Senado do Rio de Janeiro. Chego a ter vergonha de tê-lo brasileiro ao pensar que para fazer-lhe uma referência nos dias de hoje, é preciso informar aos desacostumados de pouca vontade que não é ele que é tetravô da atriz Marina Rui Barbosa, mas ela a tetraneta do Água de Aia. Grande Jurista. Quando havia profissões de carreira impulsionadas pela ética acima de qualquer suspeita. Sempre existiram e existirão os abusados e desrespeitosos malandros de carteirinha qualquer área. Havia ali, nos 1910. A diferença era que tanto os ilibados quanto o povo meio lá meio cá, sabiam quem merecia seu respeito, quem usava do cargo e poder para benefício próprio. Quem abusava das notinhas de rodapé da Constituição.
Ah…. quantas nulidades! Como fruto da terra que somos, também fomos tragados por dejetos químicos, invadidos pela lama contaminada, lavados no ácido para que mentes fossem dotadas de um branco total radiante. Risonho e límpido. Vanusa cantou o Hino que a nação ta merecendo. Todo assim bagunçado, nonsense, sem eira nem beira. Visionária a Vanusa.
Vanusa
MEDO – do latim metus, inquietação, temor, ansiedade
Nós que acreditamos que a intelectualidade nos traria justiça social, que a não-ignorância nos permitiria ajudar ao menos favorecido, somos todos vítimas de um desfavorecimento incontesti, escancarado, desanimado. Vimos ergir da mesma lama química monstros poderosos tal qual a Bolha Assassina, crescendo e devorando tudo que lhe servisse de alimento. A planta carnívora da Pequena Loja dos Horrores cujas partes humanas devoradas a faziam dobrar de tamanho, e a fome insaciável. A carnívora gritando – sim, ela falava – initerruptamente: Feed Me! Feed Me! Medo de andar, medo de viajar, medo da briza do mar. Passear sem anéis, relógios ou alianças nas praias brasileiras por precaução contra furtos ou, quiçá, coisa pior. Medo de tudo. Medo de ter medo e precisar tomar remédios globalizados para o medo.
Chomsky, esse cara…
Ele não pára. Durante décadas analisou os métodos utilizados pela mídia para manipulação das massas. Não vou deixar o mais pessimista listando as dez mais. Mas uma delas é clarificante: nós passamos a acreditar no que eles querem e a necessitar do que eles querem que necessitemos. Ah… esse linguajar jurássico dos anos 60-70… alguém precisa modernizar a linguagem, já que o permanece entre nós. Massa de manobra. Para não sê-la, lutávamos juntos por uma causa. Hoje, olho volta e vejo grupos se formando para defender-se de iguais. Uma pena ver tanta inteligência à serviço do enriquecimento rápido para, quem sabe no futuro, comprar uma cápsula para marte de dois lugares, ou uma ilha acima do nível do mar e lá viver encomendando tecnologias de ponta. Nesse museu de grandes novidades, sinto falta do respeito, do carinho, da ética sem dialética.
Noam Chomsky
Sinto falta dos meus abraços e da oção ao cantar o hino
Há pouco tempo, um jogador de futebol não pensaria duas vezes ao ser convidado para defender a seleção brasileira. Ontem mesmo ouvi no rádio que um jogador preferiu ir para a China porque ganharia tanto, mas tanto dinheiro que…. seleção, que nada. Um povo que não tem do que ser orgulhar. Nos transformamos nisso. De nada nem de ninguém. Nossa natureza devastada, representantes ineptos e claramente obcecados pelo poder. Viúvos somos todos nós. Viúvos de identidade. De ideologia. Quem diria.
Actio quod metus causa = Ação por motivo de medo.
Jorge… São Jorge Aragão e seus defeitos, autor dos mais gostosos sambas, brasiliano, brasileiro. Quando li seu poema no Instagram foi um misto de tristeza e alegria ver uma pessoa pública se manifestar. Sei lá, quem sabe eu também possa pegar meus panos de bunda e morar longe daqui… Ô, Jorge. Fala com seu pessoal. Vem pro lado da força que precisa de vocês.
Jorge Aragão
Fonte: Carmen Farão