Feliz Dia das Mães Solteiras
Tem o feliz Dia das Mães, e tem o feliz Dia das Mães Solteiras. Sou do segundo grupo.
Não que a gente seja mais, que a gente seja melhor, que a gente seja as suprassumos do Bairro Peixoto – a gente até é, mas este não é o caso. O caso é que a gente é, acima de tudo, diferente.
Enquanto vocês da primeira equipe vão ganhar café da manhã na cama no domingo, eu vou ganhar o meu no mesmo lugar de sempre: de cara pro fogão, fritando panqueca e gritando da cozinha pro quarto que é hora de levantar ou a gente se atrasa de novo.
Até haverá um quê de especialidade, talvez eu substitua o queijo xumbrega por, sei lá, um gouda bem cheiroso, mas o fato é que, como sou eu mesma que me preparo tudo, acaba que vira um dia meio que igual a outro qualquer.
Talvez até haja presente. Ontem rolou um cartão feito na escola, todo fofo, umas colagens e aquelas letras ainda tortas se escorando umas nas outras. Muito bonitinho, era mesmo uma graça, só acho que a mensagem interna podia ser mais exclusiva. “Neste dia quero viajar com você e o papai”. Putz, jura?
E olha que se não vier nada, se eu não ganhar qualquer coisa além de um abraço apertado, um suspiro dobrado e o amor sem fim, confesso que tá de boa.
Até porque minha prenda mesmo veio na semana passada, na viagem a trabalho, quando cobri um congresso outro estado e me botaram hospedada num hotel de luxo no bairro chique da cidade. Se eu soubesse, tinha levado meu longo e os cílios iços.
E, óbvio, um biquíni maneiro, que teria me proporcionado altos mergulhos na piscina aquecida do último andar, aquela mesma que fiquei olhando de longe puta da vida e cogitando invadir portando apenas sutiã e calcinha.
A organização do evento até chamou pra festinha de noite, um bar famoso no centro, mas, ó, festinha mesmo, pessoal, acontece aqui dentro do quarto, privê, no carpete, no edredon, e, obviamente, no banheiro.
Que mãe solteira não pode ver um banheiro sozinha que já se refastela.
O quê, não tem NINGUÉM pra me encher o saco enquanto ligo o chuveiro? Não tem NINGUÉM pra me chamar vinte vezes de fora do box interrompendo meu banho? Não há NINGUÉM pra puxar conversa enquanto faço cocô? Vou chorar de oção.
Até vou comer um negocinho no almoço domingo agora, convidar desconhecidos pra ir ao restaurante com a gente e fingir que são nossa família feliz. Mas, juro, meu Dia das Mães eu já comemorei bastante, sentada no chão do box, pelada e contente, tomando uma chuveirada quente de 70 minutos nas costas profundo silêncio e com o espírito paz.
O Feliz Dia das Mães Solteiras Blog Bonitinha, mas Ordinária.
Fonte: Blog Bonitinha, mas Ordinária