Golpe do namoro virtual: todo amor é de mentira. Alguns, custam mais caro
Todo amor é uma idealização. Quando é virtual, o perigo é maior
Leio estarrecida a manchete de hoje do tal R7, sobre as vítimas de golpes de namoro virtuais e das mulheres que conseguiram transformar experiências nefastas oportunidade para caçar os marginais ocionais soltos na Internet. Num momento, a reação natural diante da ingenuidade das vítimas é de incredulidade. Como é que pode cair numa balela dessas? Mas…
É fácil ser presa de um scammer, como são chamados os golpistas. Vivemos tempos de solidão intensa, de individualismo exacerbado e de desrespeito a tudo e a todos. A intolerância impera e ninguém suporta mais o que é diferente, deixando as pessoas cada vez mais isoladas nos seus mundos, atrás de seus computadores, cada um defendendo seu lado, a sua opinião, e destilando ódio pelas redes sociais, pela vida afora.
Eis que de repente, não mais que de repente, aparece um sujeito bom papo, boa pinta (nem é requisito, mas, voilá), todo cheio de amor pra dar. As almas carentes e solitárias não resistem, independentemente da idade, sexo, escolaridade ou classe social. A carência é democrática, está aí para todos.
Os amores virtuais só comprovam o que qualquer ser mais vivido já aprendeu faz tempo: todo amor é de mentira, é uma invenção, uma ilusão, uma construção de ideal que só existe na cabeça de quem cria. Às vezes, muitas vezes, essa fantasia é vivida a dois, então se acredita que, oh, que maravilha, encontrei a alma gêmea. E assim se vive há milênios, fazendo de conta que o casamento e as relações amorosas bastam para se ser feliz. De vez quando até basta mesmo.
Mas não adianta fingir: é cima dessa carência, somada à idealização do amor romântico, que agem os golpistas afetivos. A reportagem mostra o quanto as vítimas se sentem fragilizadas depois de descoberto o golpe, mas o que dói mesmo não é no bolso.
É esse gosto de fel no céu na boca que fica quando a realidade revela que tudo não passou de uma fantasia. Que nada daquilo era real. Um faz de conta do qual é difícil se reerguer. Como é difícil se levantar depois de qualquer separação, mesmo essas, que nunca houve um contato físico real. Ficou tudo no imaginário.
E atenção: contra o não-vivido não há argumentos. É exatemente ali que cabem todas as fantasias de uma vida de comercial de margarina. O namorado imaginário que conversa pela Internet não ronca à noite. Nem faz pum debaixo das cobertas. É só um lorde a dar atenção sempre, com inúmeras palavras de amor. Desconfie. Ninguém é assim tão fofo. Se pedir dinheiro então, caia fora. É roubada. Todo amor é uma roubada, mas ainda é melhor idealizar olhando no olho, do que teclando com estranhos.
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Fonte: Blog da DB