Homens com Tetinhas

Alalaô aí, ó.

Celulíticas e estriônicas, sintam-se vingadas. Os homens perderam a noção. No calor o homem pode tirar a camisa na rua, andar por aí nos bairros menos formais. E nos finais de semana até nos elegantes platôs da zona oeste, têm exposto a semi nudez permitida. Os homens podem. De dentro de uma bermuda desabotoada sobre o barrigão, deixam aparecer o elástico daquilo que se chama cueca por sobre a ausência do traseiro. Todo barrigudo perde nádegas. Não me pergunte por quê.

A liberdade de tirar a camisa nesse calor vulcânico e andar livremente pelas ruas é prerrogativa deles. Mulher sem a parte de cima é indecoroso, ilegal e imoral, dizem. Ainda que um fiozinho tampando os mamilos é o suficiente para driblar a questão. Esqueça o carnaval, estou falando desses dias infernais de sol escaldante.

Voltando às tetinhas, melhor esclarecer: não são aqueles seios aglanunares que vêm com barricadas de chopp, cervejas e bifes de picanha com gordura. São tetinhas mesmo. Com glândulas. Cada vez mais tenho presenciado homens com tetinhas. Aquelas que aparecem os biquinhos e formato até quando estão com uma elegante camisa polo conceituada. Tetinhas masculinas são democráticas e não escolhem classe social.

Barriga, Perninha e Papada

Claro que nem todos os descamisados (climaticamente falando, não sócio-político noventista) são adeptos à ostentação da exuberante decadência corporal. Muitos sentados nas cadeiras de plásticos patrocinada por cervejas nos bares de calçada são jovens de chinelo de dedo. Mas, ô, dó… quanta barriga molinha… Seria o equivalente a quê? Talvez à nossa celulite involuntária? Será? Só pra tentar visualizar: barrigas não esféricas, almofadadas ainda, moles, moles… a falta de exercício faz o líquido se espalhar de achar vaga nesse tipo de corpo. Alguns até têm peneuzinhos, outros batem e passam a mão na barriga satisfeitos por conseguirem enxergar o chinelo olhando para baixo. Aí eles resolvem atravessar a rua com a camiseta sobre o ombro, e aquela barriga começa a ganhar vida própria, remexendo como gelatina a cada passo pesado dado pelo proprietário do patrimônio.

Calor cruel, cruel…!

Nem todos têm a felicidade de contar com uma praia todo  o final de semana ou com piscina casa ou no condomínio. Ademais, piscina condomínio é coisa de mulher, né? Os fanfarrões preferem tirar a camisa e tomar uma gelada, outra pé de pedreiro, outra mais ainda e passar a tarde lá, comprando o cigarro, ou depois o leite e mortadela na padaria. Esse calor está nos matando. Quem sofre de pressão baixa, quer morar no freezer.

Voltemos: definir é limitar

Não estou generalizando, claro que não. Quem me conhece sabe que uma das frases que mais gosto é essa aí de cima, do Oscar Wilde. Mas o calor está entregando a quantas anda o físico do homem comum, o acessível, o possível. Meninas, nós temos celulite, estrias e uns quilinhos a mais. Mas os guapos não ficam atrás. Confesso que adoro vê-los atravessando a faixa de pedestres na minha frente. Um canto da minha boca se rasga num sorriso. Não deixa de ser uma vingançazinha, pequetita. Nós, que nos dedicamos tanto para manter o corpo atraente, se olharmos bem os atraídos veremos que talvez estejamos competindo com nós mesmas. que, com esse calor, suar feito doida numa academia por uma barriga molinha, redonda, cheia de pelos ou por tetinhas masculinas, é outra coisa. Freud explica. Talvez nem tanto. A terapeuta dá conta fácil.

Botem a celulite pra passear na praia! Varizes, aqui vou eu! Estrias, pra que te quero!

e sejamos (mais) felizes.

Fonte: Carmen Farão