Irmão, é Preciso Coragem!

Receita de terça-feira:

Exprema um limão siciliano bem amarelo num copo que se ajuste confortavelmente em uma de suas mãos. Daqueles que quando chegar a hora a “chacoalhadinha” tenha gosto sem provar e glamour nas pedrinhas de gelo derretidas.  Isso. Pedrinhas de gelo. Muitas. Pequenas para dar volume, temperatura e estética agradável.  Açúcar à gosto. Muito gelo. Está calor. Acrescente uma boa vodka importada levemente perfumada com bauniha. Misture tudo.  Misture bem.  Não reserve, deguste. que é terça-feira.

Se tiver sido poupado da vista curta de outro edifício em sua janela, vá até o parapeito. Debruce-se e… deguste. Algum horizonte, há. Meu deus, esse calor… e tantas coisas dentro dele e ao redor.

Assim a inspiração começa para uns e mal acontece para outros. Num terça-feira.  Imagens paradisíacas nas páginas da internet. O carro pra desamassar, o sofá pra trocar, a TV que não é nem um pouco esperta, esquenta demais. Que calor. Desarrume-se. Desajeite-se.  Conforte-se.  Leia. Sobretudo, pense. Pense muito em como afastar os maus-pensamentos. Proteja-se. Reveja um tempo em que na sua vida só havia amigos e festas e acontecimentos de contar mais velho. Procure identificar quantos permanecem. Veja bem: permanecer não é ver todo o dia. Permanecer é estamos: conosco e consigo independente da quantidade de “olá, como vai, tudo bem?” trocadas na vida real. Permanecer é ter a certeza de que quando for preciso, eles estarão ali. Aqui.  Em todo o lugar. Seja feliz por um triz nesse mundo que jaz. Não é fácil. Não são tempos fáceis. Talvez se a guerra fosse declarada as políticas nos ajudassem a calcular futuros, permanecer presentes, arrojar momentos. Mas, não. Tudo subjetiva à deriva nesse mar de coisas desencontradas e distantes.

Distantes dos reais lugares que pertencemos, distantes das pessoas que queremos perto. Do curso de fotografia, do documentário que vai mudar o mundo, dos quintais verdes e tablets maravilhosos. A vida é como São Paulo. Nos oferece tudo sem dar condição de participar desse “tudo”.

Vivi uma Nova Iorque de sonhos, com a neve que pedi à deus e  Carneggie Hall.  E o Central Park. Não importa que não me dão lhufas, que sou mais uma se esbaldando como um pinto na neve. Não importa. O que importa e faz a diferença é como o meu coração bate. Brega, Pop, Hit, Over, Cover, down, up, meu, nosso… Nunca gostei de definições. Decidi não definir quanto achei, lá pelos idos final dos 1970, que era uma pessoa diferente. Embora a vida tenha revelado que de diferente sou espectdora de mestres e heroínas maravilhosas. Me sinto na pirâmide de Marx, sustentando o que acredito. Com o maior e máximo prazer. Farei a força que for necessária para sempre e todo o sempre. Estou na base da pirâmide mas poderia tranquilamente viajar no iate triplex em alto mar verde maravilha desse mundão Jacques Custeau. Saber o seu lugar em detrimeto de seu potencial é uma dádiva. É, sim.

Na Escócia, dizia.

Numa ilha da escócia. Uma casa no alto, nas pedras poderosas e fortes que aguentariam tsunamis. Casa de pedra sobre as pedras com um imenso farol sinalizando para todos os perdidos e necessitados. Uma casa auto-suficiente, tecnológica, grande, forte, com o farol, numa ilha da escócia. Nunca fui à escócia realmente.

Vivi Paris. Sempre haverá Paris e aquele cheiro de gosto…. Sempre e nunca mais apagado de minha história, como um pinto no Quartier Latin. Como uma amadora de sotaques dando licença e ouvindo “mercis” e “abientô” carregando o caminhãozinho de esperanças. Vivi o amor.

Não é preciso lisergia para encarar outsider essa vida de espertos. É preciso coragem. Irmão, é preciso coragem!

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Fonte: Carmen Farão