Milton Nascimento lamenta morte de Fernando Brant: “Agradecido por ele ter feito parte da minha existência”
Reprodução/Facebook
Por meio das redes sociais, Milton Nascimento lamentou a morte do ex-parceiro musical Fernando Brant e, um texto comovente, recordou seu último encontro com o jornalista e compositor mineiro.
— A última vez que estive com Fernando foi a menos de seis meses, minha casa, no Rio. Ele chegou junto com outro grande amigo, Ronaldo Bastos, e foi uma noite como há muitos anos não acontecia. Passamos horas lembrando de histórias, canções, amigos e, principalmente, a amizade que nos guiava todos estes anos que passamos juntos. Eu já sabia que Fernando estava com um problema de saúde, mas nenhum momento falamos disso naquela noite. Não precisava. Fernando esteve ao meu lado nos acontecimentos mais importantes da minha vida. E isso já era o suficiente a ser lembrado. Em meu último show, Santos, no dia 5 de junho, uma jornalista pediu para eu contar uma história, qualquer uma. Não sei como, mas automaticamente comecei a falar do Fernando, e de quando eu estava São Paulo, e fiz três músicas no mesmo dia: “Pai Grande”, “Morro Velho” e “Travessia”, esta última, a que levei para Fernando Brant fazer a letra Belo Horizonte. O resto é história. Sem ele, as coisas não teriam acontecido desta maneira. Nenhuma palavra do mundo é capaz de descrever o quanto eu sou agradecido por ele ter feito parte da minha existência. Obrigado Amigo, muito obrigado.
Jornalista e um dos fundadores do movimento musical Clube da Esquina, Fernando Rocha Brant morreu aos 68 anos, na noite desta sexta-feira (12), no Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, decorrência de uma complicação após um transplante de fígado.
TRAJETÓRIA
Ex-parceiro de Milton Nascimento várias composições, Brant nasceu Caldas (MG), no dia 9 de outubro de 1946.
Começou a se envolver com música e literatura quando ainda cursava a faculdade de Direito. Na década de 60, conheceu o amigo Milton Nascimento, que o convenceu a escrever sua primeira letra, a canção Travessia, em 1967.
No mesmo ano, a música ganhou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, alavancando a carreira de Milton.
Dois anos depois, entrou como jornalista na revista O Cruzeiro. Ainda 1969, Brant e os amigos começaram a articular o projeto que se tornaria o Clube da Esquina, Belo Horizonte.
A parceria com Milton, Lô Borges, Tavinho Moura e outros membros do Clube gerou mais de 200 canções, entre as quais há clássicos como Maria, Maria e Canção da América.
Fonte: R7 – Famosos e TV