O Despertar do Desperdício

Foto e manipulação: Carmen Farão

Para os Criativos. Ou seja, todos nós.

O mundo é uma bola quadrada que gira parada torno do sol. 

A frase repetidamente proferida por ex-parentes e agregados nunca fez tanto sentido como hoje. Como não fazer sentido nessa célula non sense que vivemos?

Me pergunto se nos acostumados com os absurdos ou se os tempos mudam dessa forma mesmo… Não creio que os tempos mudem dessa forma.

Os tempos mudaram até aqui através de conquistas sociais, humanas. Depois do boom tecnológico, da globalização e conscientização do poder de guerrilha terrorista, tudo está de cabeça viés, ao invés de, através.

Nós é que estamos tentando entender essa pequenice diante da natureza. Soberba. Respeitar é a melhor forma de conviver harmonicamente. Com gente, bicho e família. Quando despertarmos, estaremos vivendo aldeias, torcendo para que Asterix e Obelix estejam do nosso lado, e que o Druída socialize a poção mágica. Creio que um dia, lá no para sempre, viveremos assim. Montanhas suspensas, Icebergs quase à beira mar, alguns impedindo a visão do horizonte, outros servindo de transporte para novos mundos. Iceberg. Icebergs são frios.

Iceberg, mon coeur… deixe o sol entrar e atravessar esse gelo, abra um caminho dentro de você, seu lindo, para que seja possível atravessar tamanha frieza sem perder a indescritível beleza da transparência e cores formadas pelos raios solares. Não impeça, imponha a presença magnífica e faça-nos contornar sua alegoria. Iceberg, seu milagre… você, as baleias e os elefantes sempre foram habitantes de minha Nárnia, meu Jagatá, minha terra, meu lugar .

Parei de fumar, bebo muito pouco. Nem quase socialmente. Adoro dançar. Saudade de cantar, tocar meu instrumento. 

Meu amigo Marcelo me deu uma medalhinha de Nossa Senhora das Medalhas. Tirou do seu pescoço e me disse: me devolva quando conseguir o que quer. Meu amigo Marcelo. Já começou o movimento mim com essa ação. Talvez, quase sem querer, a gente comece algum movimento no outro. isso estou aqui. Ou quase por isso. Vai, por isso também.

Despertar para o desperdício é a pior coisa que pode acontecer a um criativo se esse não transforma ou transmuta o que lhe vem causas, efeitos e movimentos.

 Cada vez mais admiro os loucos. Os loucos sabem. Os loucos de verdade, não os que se auto intitulam e pregam falsamente um comportamento que não lhes pertence. No fundo são caretas se drogado para impressionar, mas que na hora H do dia D, envelhecidos, não honrarão suas atitudes.

 Admiro pessoas de atitude, de coragem. Pessoas que tocam minha vida sendo assim. Que me inspiram fazem perdurar a fé. Estão todos tão individualistas que a maior atitude que podem tomar é curar uma fratura do cartão de crédito.

 A vida é finita, sim. E quem pensa demais, absorve e processa, precisa devolver para o mundo, de uma forma ou de outra.

 Criativos, uní-vos. Todos somos. Abra as portas, janelas, deixe sair, vá criar! Tudo vira hábito e se nos habituarmos a não deixar acontecer, tudo pára de acontecer. Tome a sí mesmo como exemplo, seus desejos. Faça uma lista (esqueça o Oswaldo, nada a ver com essa) do que pensou fazer, e comece.

 

Fonte: Carmen Farão