Pessoas com ouvidos normais conseguem selecionar espontaneamente quais dos sons do dia devem receber mais atenção e quais não devem. Isso é feito de modo subconsciente, mas pode ser consciente. quot;É como ouvir uma orquestra sinfônica: quando queremos, podemos realçar nossa percepção do violino relação aos demais instrumentos. Pessoas que têm um nível de audição muito melhor do que a média, demonstrado pela audiometria, escutam e sentem-se incomodados, com sons que são irrelevantes, como se essa seleção não funcionasse direito", explica Dra.Tanit Ganz Sanchez, presidente da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ), .
Surge assim o incômodo, pois sons de insetos, de folhas ou gotas caindo longe passam a ser percebidos sem necessidade. Isso traz desconforto casa, no trabalho e ambientes públicos, pois vários sons passam a incomodar. “Como a vida diária é cheia de sons, a super audição pode até causar o isolamento social, na tentativa de fugir de alguns sons que as pessoas não conseguem ignorar direito”, complementa a otorrinolaringologista, com doutorado e livre-docência pela FMUSP.
Não ha números que demonstrem a frequência da super audição no Brasil ou no mundo, mas eles são raros e a detecção é feita com um exame simples. “A Audiometria é o exame que avalia a capacidade do paciente para ouvir sons diferentes: graves, médios e agudos. É bastante usada para pesquisar a perda auditiva, mas também serve para mostrar a super audição, quando os resultados são melhores do que a média”, complementa a Dra Tanit, que há mais de 20 anos atua com estudos sobre o zumbido no ouvido.
Frequentemente a super audição pode ser confundida com dois outros problemas de intolerância aos sons: a Misofonia e a Hiperacusia. “A Misofonia é uma aversão a determinados sons repetidos, mesmo quando eles são baixos, como a mastigação, o fungar do nariz, o clique de uma caneta etc” explica a otorrinolaringologista.
Já a Hiperacusia é um incômodo com o volume dos sons do dia-a-dia, de tudo parece mais alto doque realmente é. “Por exemplo, uma conversa normal tem um volume de 60-70dB; nos casos mais graves de Hiperacusia, as pessoas já sentem desconforto ao ouvirem sons de 40 ou 50dB, o que praticamente inviabiliza uma vida profissional ou social".
Essa intolerância aos sons normais da vida pode aparecer sozinha ou acompanhar o zumbido no ouvido, um som interno e individual que afeta crianças, adolescentes, adultos e idosos. O tratamento consiste dessensibilizar os ouvidos, expondo-os a sons de forma lenta, progressiva e monitorada até os pacientes recuperarem sua qualidade de vida.
Fonte: Vida

