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Dois tipos de bactéria podem causar a lepra

Apesar de conhecida há muito tempo, ainda existem muitos aspectos obscuros sobre a lepra. Até poucos anos, apenas se conhecia uma bactéria que originava esta doença, a Mycobacterium leprae. Mas 2008 foi encontrado um outro bacilo num doente com lepra oriundo do México, o Mycobacterium lepromatosis. Uma equipe de cientistas sequenciou agora o genoma da nova espécie e comparou-o com o da antiga. Os resultados mostram que os dois bacilos são semelhantes, bora tenham se separado na árvore evolutiva há quase 14 milhões de anos, adianta um na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

“Para nosso espanto, descobrimos que, estruturalmente, os dois genomas são muito semelhantes, apesar de terem divergido há muito tempo”, diz nbsp;o investigador da Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça e um dos autores do publicado pela equipe liderada por Stewart Cole, que fez a sequenciação do genoma, Andrej Benjak. 

Esta informação sobre o genoma é importante. Quando se identifica uma bactéria nova associada a uma doença antiga, é necessário compreender se essa bactéria está, de fato, originando a mesma doença ou uma doença semelhante. A decodificação do genoma – ao mostrar as características da bactéria, como o tipo de células humanas que é capaz de infectar – ajuda a desvendar esta questão.

No caso da lepra, tudo aponta para ambas as bactérias causarem a doença, explica Andrej Benjak: “As duas espécies não só são semelhantes relação ao tamanho do genoma, como também têm os mesmos grupos de genes. Isto significa que, provavelmente, a biologia das duas espécies é muito semelhante”. 

A lepra é uma doença infecciosa crônica e muito antiga. Terá surgido por volta de 2400 anos a.C., no Oriente Médio. O caso mais antigo de lepra que se conhece é o de um homem que viveu entre 1 e 50 anos d.C., cujo corpo foi encontrado nos arredores da cidade de Jerusalém. Análises ao ADN dos vestígios mostraram que o indivíduo tinha tido lepra. Ao longo dos séculos, a doença espalhou-se pelo mundo, estando associada à pobreza. Os leprosos, devido à sua aparência e por transmitirem uma doença então incurável, foram muitas vezes isolados e ostracizados.

Em 1873, Gerhard Armauer Hansen, um médico norueguês, identificou o agente patogénico que causa a lepra. A Mycobacterium leprae tornou-se então a primeira bactéria a ser associada a uma doença humana. E a lepra passou a ser também conhecida pela doença de Hansen, referência ao médico. 

Depois de alguém ficar infectado pela bactéria, pode passar um grande período sem que a doença se manifeste. O período de médio de incubação é cerca de cinco anos, mas os sintomas podem demorar 20 anos ou mais para surgirem. Quando não é tratada, a doença causa danos permanentes na pele, nos nervos, nas mãos e nos pés e nos olhos, descaracterizando as pessoas, e destruindo os dedos. Os doentes acabam por ficar dependentes de terceiros para executar as atividades diárias.

Fonte: Vida

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