
Toda mãe e todo pai sonha com um futuro digno para seus filhos. Mas, daí a fingir que é turista, barcar no último trimestre de gestação, para ganhar bebê nos Estados Unidos e se aproveitar de uma brecha legal que garante um passaporte gringo para a criança é, no mínimo, uma baita hipocrisia.
É uma prática que já parte do jeitinho, da fajutagem e da enganação. É o mesmo que bradar contra a corrupção e molhar a mão do guarda para aliviar aquela multa. Que espécie de exemplo estarão dando a seus filhos os pais que optam pela mentira para garantir uma cidadania conquistada na mutreta? Pai e mãe que fazem cambalacho para o filho obter vantagens já dão uma prévia do tipo de adulto que vem por aí.
A notícia de que brasileiras estão viajando a Miami para dar à luz, pois a Constituição americana garante a cidadania automática a todas as crianças nascidas no país, é de lascar. E são famílias cheias de grana, não é ninguém situação de risco aqui.
Segundo o médico brasileiro Wladimir Lorentz, que (acreditem) fundou a “Ser Mamãe Miami”, agência especializada partos para brasileiras na cidade, os preços são altos. Há três “pacotes” disponíveis: o parto natural sai por US$ 9.840 (cerca de R$ 37.800); a cesárea, US$ 11.390 (R$ 43.700); e o múltiplo (gêmeos ou mais), US$ 14.730 (R$ 56.600).
Tudo isso sem falar que acima de 30 semanas de gestação é um risco fazer viagens de avião, tanto que as companhias aéreas costumam solicitar atestado médico para autorizar o barque.
A justificativa das mulheres que optaram ter seus filhos lá, nesse esquema de sair do Brasil fingindo que vai passear, mas na verdade vai ganhar bebê para trazer um gringo na mala, é descarada. Querem que eles tenham cidadania americana e melhores oportunidades no futuro.
Que jeito de se dar oportunidade a alguém, hein? Fingindo ser o que não é? Mostrando ao filho, antes mesmo de nascer, que ele é o centro do universo, um reizinho que deve nascer americano, afinal, ser brasileiro não dá oportunidade de futuro?
Este é só mais um sintoma de que estamos numa sociedade doente, de até o direito de nascer seu país está sendo tolhido, nome da picaretagem. Pode até ser legal, juridicamente falando. Mas é imoral.
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