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Enxaqueca compromete o rendimento escolar

Em seguida idas e vindas ao oftalmologista e ao pediatra, os pais de L.M, oito anos, ainda não têm uma motivo que explique a possante dor de cabeça que incomoda o fruto pelo menos duas vezes por mês. É roupa que a enxaqueca, doença determinada por uma disfunção biológica envolvendo mecanismos cerebrais ligados à modulação da dor, não distingue sexo na puerícia e é cada vez mais frequente. Logo por que ainda é tão difícil chegar ao diagnóstico?

"Isso acontece essencialmente porque os pais demoram a procurar assistência médica por acreditarem que as dores de cabeça são decorrentes de problemas visuais, estresse com provas. Além do que muitos médicos ainda desconhecem os critérios diagnósticos que definem a doença e muitas vezes reforçam os ‘modelos explicativos’ leigos dos pais", justifica o neurologista João José Roble, coordenador do Núcleo de Cefaleia do Serviço de Neurologia do Hospital Universal de Fortaleza (HGF).

Três é demais

Em 2015, a Sociedade Brasileira de Cefaleia lançou uma campanha com o slogan quot;3 é demais!". Significa expressar que se o quidam (seja qual for a idade) apresentar três ou mais dores de cabeça por mês há mais de três meses, deve procurar um médico.

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Dr. João José acrescenta:" não acredite nos seus motivos (‘efeitos deflagradores’) para as suas dores de cabeça, procure um médico, peculiar o neurologista ou perito dor de cabeça. É claro que ele terá explicações mais adequadas para a sua dor, sendo o passo para o diagnóstico e tratamento adequado", argumenta o perito dor pela Ateneu Brasileira de Neurologia, que tem 33 anos dedicados ao estudo, à pesquisa e ao atendimento de pacientes com dor de cabeça.

Déficit de atenção

A enxaqueca produz impactos negativos na maioria de seus sofredores, sim, esse é o termo mais aplicado a esses pacientes. Estudo canadense avaliou que quase 90% dos pacientes têm as suas vidas pessoal, familiar, social comprometidas pela doença. Para as crianças isso não é dissemelhante, com ênfase para os prejuízos frequentes na vida escolar.

Dr. João José Roble destaca um estudo recente realizado pela professora Thais Villa, do Setor de Investigação e Tratamento das Cefaleias (SITC) da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) no qual foi concluído que crianças com enxaqueca têm mais déficit de atenção do que as que não têm a doença.

Além dessa, outras pesquisas, incluindo a realizada pelo neurologista da puerícia e mocidade, Prof. Marco Antônio Arruda, de Ribeirão Preto (SP), já demonstraram que crianças com enxaqueca têm performance escolar subalterno quando comparadas a crianças que não apresentam dores de cabeça. No entanto, estes mesmos estudos mostram que o diagnóstico e tratamento precoces reduzem esse prejuízo e melhoram o aproveitamento escolar dos pequenos.

O que predispõe

A enxaqueca não diferencia sexo na puerícia e na terceira idade, sendo os percentuais semelhantes para homens e mulheres, torno dos 5%. volta dos 30 anos, no entanto, as mulheres apresentam quatro vezes mais enxaqueca do que os homens. A estimativa é de que 18% das mulheres e 6% dos homens convivem com a doença.

Embora a enxaqueca possua um possante componente hereditário, é forçoso enobrecer o fator deflagrador da crise, quesito válida para todas as faixas etárias. Dr. João José Roble costuma expressar quot;que só tem enxaqueca quem pode, não é quem quer. Isso porque, explica, só tem enxaqueca quem tem o defeito genético e um cérebro predisposto".

Modelos explicativos

São várias as situações que desencadeiam a enxaqueca. Muitos pacientes, afirma o médico, relatam que as crises costumam ocorrer em seguida exposição à luz ou estrondo, durante o ciclo menstrual, depois a ingestão de alguns vitualhas e bebidas, e assim por diante.

"Na verdade, porquê seres humanos não conseguimos viver sem explicar o que sentimos e, ao longo da vida, elaboramos ‘modelos explicativos’ para as dores de cabeça. Quando uma paciente diz que ao menstruar ou se estressar tem uma crise, ela está me dizendo que a doença não está tratada. Se ela tivesse, ela poderia menstruar e permanecer estressada que não sentiria dor de cabeça", conclui o rabi Neurologia pela Universidade Federalista do Rio de Janeiro.

Nascente: Vida

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