O número de entidades sem fins lucrativos registradas anualmente nos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas é cada vez maior. Com este aumento cresce também o número de projetos sociais no mercado em busca de recursos de financiadores sensíveis às causas sociais defendidas pelas Organizações Não Governamentais (ONGs).
O aumento da oferta de projetos sociais obriga as entidades proponentes a se tornarem cada vez mais criativas e profissionais em suas propostas. Como já dito antes, cada financiador tem uma cultura e analisa as demandas sociais sob determinado ponto de vista, o que precisa ser conhecido e respeitado pelas instituições proponentes de projetos sociais.
Porém, apesar das culturas diferenciadas, existem aspectos de um projeto social que são consensualmente imprescindíveis e cuja análise recairá com maior rigor, afinal, financiadores de projetos sociais em regra são empresários e como tal têm olhar diferenciado na análise de risco do investimento financeiro que será realizado.
Três aspectos farão muita diferença: a justificativa, a metodologia e o orçamento. Quando alguém questiona se determinado projeto é “caro ou barato” há de se considerar que isto dependerá muito do ponto de vista, pois dois mil reais pode ser “caro” e duzentos mil “barato”, dependendo dos resultados a alcançar e dos objetivos do financiador. este motivo conhecer a forma de pensar e agir do financiador é tão importante e o captador de recursos não deve deixar passar desapercebido este aspecto.
Filosofias e preferências à parte, porque a justificativa, a metodologia e o orçamento, em regra são considerados os pontos mais importantes de um projeto social?
Bem, há uma lógica nesta afirmação. A justificativa é o ponto do texto do projeto que tem a função de trazer o financiador/leitor para dentro do problema social que o projeto pretende amenizar. Geralmente o financiador será um especialista em análise, um empresário, uma comissão de notáveis da sociedade. Estas pessoas nem sempre, ou quase nunca, tem experiência prática no tema, ou seja, não vivem a realidade que o projeto pretende mudar, pois estão em outra camada da sociedade.
Por este motivo na justificativa do projeto social temos que demonstrar dados reais sobre os problemas enfrentados e que serão trabalhados durante o projeto. A exposição dos dados qualitativos e quantitativos sobre os problemas sociais tem duas funções: assegurar que os problemas de fato existem e que são graves; afastar o juízo de valor do redator do projeto, afinal, contra dados oficiais não há argumento.
Ao explanarmos sobre os problemas sociais existentes, com dados e propriedade, faremos o financiador “mergulhar” neste mundo muitas vezes desconhecido ou superficialmente conhecido por ele. Depois de relatar os problemas a justificativa é finalizada alegando que “são por estes problemas que justifica-se iniciativas como o projeto tal”.
Ao terminar de ler uma justificativa, se ela for bem fundamentada e convincente, o leitor tem que estar com a seguinte sensação: “eu não sabia que o problema era tão grave. Realmente temos que fazer algo contra isto!”.
Toda vez que estamos diante de um problema é natural pensarmos: “como vou/vamos resolver isto?”. O “como” é a metodologia! É neste ponto do projeto social que o texto induz ao financiador ou a prosseguir a leitura do projeto ou a deixá-lo de lado e negar o pedido de financiamento. Após pontuarmos os problemas na justificativa, é preciso propor um método lógico e suficiente para dizermos que o projeto social irá minimizar aqueles problemas.
Ao terminar de ler a metodologia, um financiador tem uma das duas certezas: “Isto tem lógica, vai dar certo para resolver aqueles problemas” ou então “É evidente que este método não vai conseguir dar conta daqueles problemas”. É a metodologia que dá o tom “caro ou barato” ao projeto. A metodologia precisa ser coerente, embasada, atrativa ao ponto de incitar o leitor a pensar “quanto será que custa isso?” e então ele vai para o orçamento.
Se o método for convincente, o financiador potencial parte para uma análise do orçamento otimista, a chance de achar o custo baixo ou justo é muito maior. ém, se o método for insuficiente para reduzir o problema social exposto na justificativa, talvez o financiador não a página do projeto para chegar ao orçamento ou talvez já inicie a análise achando o projeto “caro”. Pois investir mil reias que seja para não alcançar resultado é caro, certo?
Se a justificativa e métodos forem coerentes, atrativos, o financiador chega à análise do orçamento. Então as características de um bom orçamento são: preços justos baseados no mercado; quantidade compatível com número de beneficiários do projeto; sem riscos ao financiador em relação à forma de contratação dos recursos humanos; considerando reajustes previsíveis.
O orçamento precisa guardar uma coerência com a metodologia e com o número de beneficiários. Existem empresas que lançam editais de financiamento aos projetos e neste caso estipulam um valor máximo a ser investido. Neste tipo de captação de recursos a instituição tem que considerar vários aspectos antes de apresentar um projeto:
– Para realizar o projeto com a qualidade necessária, alcançando os resultados pactuados será preciso uma boa metodologia;
– Esta metodologia tem um custo de etapas que não podem ser desconsideradas;
– Será preciso mensurar quantos beneficiários será possível atender, tem retirar nenhuma fase da metodologia, porém atendendo o custo liberado pelo financiador;
Na verdade, fica claro que escrever um projeto social atrativo para uma empresa privada não é uma tarefa que pode ser executada do dia pra a noite. Deve haver pesquisa, planejamento, levantamento de orçamentos atualizados dos itens que irão compor o custo do projeto e muitas outras coisas. O principal neste ponto de abordagem é: elementos de um projeto social definidores do sucesso ou insucesso na captação são justificativa, metodologia e orçamento.
É preciso tratar cuidadosamente de cada um dos títulos que compõem um projeto social. Vamos a esta análise.
Um projeto social bem escrito contem alguns elementos mínimos: identificação do projeto; identificação do proponente; histórico de experiência do proponente; problemas e justificativa; metodologia; público alvo; objetivos; metas; cronograma de trabalho; orçamento solicitado/contrapartida/parcerias.
Estes elementos do projeto precisam estar dispostos numa ordem lógica e harmônica, com que facilite uma leitura linear do financiador, que o leve à uma interpretação direta dos objetivos a alcançar pela instituição. Se isto acontece, ao terminar a leitura do projeto vai ecoar na cabeça do leitor a seguinte frase:
“Existe um problema social sério a ser combatido e eu tenho que somar minhas forças a isto, pois este projeto será desenvolvido por pessoas capacitadas, com metodologia que parece adequada a resolver o problema, com metas factíveis e orçamento justo”.
Um projeto social bem escrito precisa leva à esta conclusão e enquanto ainda houver dúvida sobre uma destas afirmações, ainda há falha a ser corrigida no planejamento e texto do projeto.
O Estrutura mínima de um projeto social para empresa privada em Social em Foco.
Fonte: Social em Foco
