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Parei de tomar a pílula

– Eu quero parar.

Com estas três palavras, começou a terceira guerra mundial. Quem disse a frase fui eu, e quem ouviu tudo, perplexo, foi meu ginecologista, sentado atrás da mesa no consultório, ficando puto lentamente, me chamando de louca logo seguida.

E tudo que eu queria era só parar com a pílula.

Depois de oito anos seguidos e sem pausa, decidi que não quero mais entupir meu corpo com hormônios, e, por isso, visitei meu médico busca de um método anticoncepcional o mais natural possível. Achei que seria um processo fácil, que ia ganhar um abraço e uma receita simples, mas, olha, experimente você, garota, também dizer a um gineco hoje dia que você não quer mais sua Cerazette. Que cansou da porra toda e quer, sei lá, se enrolar magipack e se prevenir de acordo com as fases da lua.

É bom que se diga que não tenho nada contra quem toma píulula, já que eu mesma tomei por décadas com pequenos intervalos esporádicos. Também não tenho nada contra filhos, não filhos, contra Simone de Beauvoir nem contra a libertação que a cartela de 28 comprimidos trouxe para a rotina da mulher.

Mas, pessoalmente, pensando POR MIM, decidi que chegou a hora de diminuir os riscos e seguir menos vida loka nesta parte que me resta da idade fértil de minha existência.

Mas parece que meu argumento – baseado no medo de uma trombose, um AVC, um câncer de mama – não é válido para o doutor que me encara do outro lado da escrivaninha. Ele pensa que estou fora de mim. Que vou acabar me reproduzindo na velocidade de um coelho caso desista da pílula.

Ou que, talvez seja este o caso, eu tenha uma mentalidade retrógrada por pedir algo menos comum para evitar a gravidez indesejada, sendo que a indústria farmacêutica trabalhou tanto a meu favor nos últimos anos a fim de me proporcionar praticidade, seguran…ZZzZzzZZZZ.

O corpo é meu, doutor. Eu que decido.

E, por ora, a escolha é outra.

E, não, eu também não vou estar aceitando esse anel que você vai estar me receitando e que mais parece um elástico de cabelo, e que também vai estar soltando hormônios lá dentro de mim. Na corrente sanguínea, na cavidade whatever, eu NÃO QUERO HORMÔNIOS MAIS. Ficou claro?

Parece que não. Parece que mulher que vai contra a corrente é ET. Seja na forma que escolheu para não ter bebês, seja no jeito que decidiu cuidar do resíduo da sua própria menstruação, se você não é adepta da Yasmin, da Gestinol, do Tampax, do OB, você é estranha.

Natureba. Hippie. Comedora de placenta.

E não são só os médicos que te julgam e torcem o nariz numa hora dessas, não. Eles fazem parte de um time super bem organizado na sabotagem. De sexta passada até hoje, a quarta-feira seguinte, já percorri 800 bairros de São Paulo busca de uma pomada espermicida para reforçar a proteção do meu novo método de proteção, e, TODAS as farmácias de entrei, as vendedoras franziam a testa e riam perguntando se isso um dia já existiu algum lugar do mundo.

A sensação que fica é que estão todos numa grande cruzada contra o livre-arbítrio e a favor dos medicamentos que, sim, foram e continuam revolucionários, mas que, veladamente, continuam fazendo vítimas com seus efeitos colaterais devastadores e perigosos.

Pois bem, caguei pra sabotagem. Caguei pra cruzada e pras dificuldades. Eu e meu diafragma cor-de-rosa cagamos, e vamos continuar, juntos e abraçados, buscando um meio de conviver com conforto e naturalidade. Sem julgar ninguém, e desejando também não ser julgados. Afinal, não é assim que funciona o mundo ideal?

O Parei de tomar a pílula Blog Bonitinha, mas Ordinária.

Fonte: Blog Bonitinha, mas Ordinária

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