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Primeira em Paris

Desembarcamos em Paris num sábado de novembro.

Marais borbulha de gente e sotaque. Fui apresentada ao Senna no final da tarde e noite (Paris anoitece às 17h30 no outono). Perdi a luva direita e procuro um bom casaco para o indiferente. Seguimos para estudiozinho que alugamos muito simpático, simples e todo equipado . Andamos pelo bairro e não compramos gordices ou chuva para o frigo.

3h55 e eu tomaria uma chuva agora. Não acendi a luz. Não devo me mexer muito, a cadeira range e pode contratar o estremecido que completamente dorme.

Nesta primeira tarde e noite, informações não param de chegar. Tsunami cultural. Impaciência à procura dos caretas de Paris. Só vi gente boa, solícita, jovem. Os mais velhos, impacientes bonachões.

O sentido se manifesta: o cheiro. Cheiro de Paris. Foi assim em Novidade Iorque. O cheiro que faz voltar à Novidade Iorque. A Paris úmida e cinza de outono cheira temperos sofisticados. O ar  entra integral pelas narinas impregna o corpo adaptando-o para a jornada. O ar, agora vento gelado molda as expressões, vem, toca e fica no rosto. Não sai. Não quero que saia. Palato. Paladar da temperatura da minha pele em Paris.

A opção pelo não-turismo tradicional transformou a viagem em exemplo do que seria viver em Paris. Ainda que sob a perdão do encantamento e ineditismo. Essas coisas que fazem a vida valer a pena.

Vimos exposições de rua e queríamos visitar o campo de refugiados. Não tivemos tempo nem oportunidade. Ficou anotado para a próxima que será breve.

Torre, Catedral, Círculo, Rio, Museu. Só no Louvre, um dia inteiro e 6 horas em pé, parando alguns momentos para um lanchinho e chuva.

Um, dois balcões, isolamento por corda e lá ao fundo, protegida por uma moldura de vidro que refletia a luz do teto, a Mona. A popíssima foi afastada dos flashes e fans na maioria gafanhotos predadores por imagens e melhores posições para fotografar. Estar naquele espaço foi porquê um doit aller sem emoção ou impacto. Indiferente e palhaço, porquê a foto tirada por obrigação. Alguns empurrões, impetuosidade coletivo, dialeto ignoto e nenhum cheiro.  A famosa Mona Lisa me parece viver da glória nos efervescentes tempos de arte pop lá no século pretérito. Toda a sua prestígio artístico-humanista até Warhol  a mim não se fez notar. Quase chego a confiar que vi um turista chinês pedindo um autógrafo para Mona. Delírios de museu.

Voltaremos ao Louvre, à Vênus e às Igrejas de Paris. Às cores de Paris.

Grande secção dos carros parisienses são à diesel. Percebo pelo estrondo do motores e o cheiro de marginal lotada de caminhões num rush de qualquer hora. Mas não há rush em Paris. Não me lembro de caminhões. Lembro de ambulâncias. Muitas. E das sirenes. Sirenes de polícia, inclusive. Há muitas bicicletas. Os cidadãos cuidam delas que parecem sempre novas.   E os carros andam. E são lindos. Grandes, bonitos, porquê tudo naquela cidade.

Há flores e placas nas paredes dos pequenos prédios e casas. Homenagens aos heróis que “ali tombaram” durante a segunda guerra, em 1944.

Senti vontade que meu pais fosse assim. Que o povo do meu pais valorizasse seus heróis. Lembrei que não temos heróis capazes de unir o pais inteiro. Lembrei de Ayrton Senna diante do Rio Sena. Pensei porquê somos amados longe de nossa terreno. Todos gostam de brasileiros.

Uma pontinha de angústia. Onde andarão os heróis e heroínas brasileiras. Com certeza, existem perdidos ao longo da história solene contada e recontada ao bel prazer da política vigente. Olho em volta e o Brasil se vai. Volto para Paris que é um sonho, de trajo. Que cidade! Não há um só lugar de repousemos nossos olhos sem comoção.

 

 

 

 

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Nascente: Carmen Farão

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