
Vi, como tantos, a imagem do casal de verde amarelo, a mulher segurando a guia do cachorrinho da família, e a babá empurrando o carrinho das crianças, devidamente uniformizada. E a melhor análise da cena veio de um amigo de longa data, compositor e grande cara, Marcelo Amorim, que aqui faço questão de reproduzir.
“Acima de tudo, tirando a cena das manifestações de hoje, isolando a cena de toda e qualquer situação – esqueçam o contexto, por gentileza – o que eu acho mesmo é o seguinte: pais que precisam pagar pra alguém empurrar o carrinho do próprio filho, e numa caminhada em que eles estão ali juntos, em pleno domingo, para mim esses pais são uns infelizes. Infelizes e ponto.”
É isso. Eu, como mãe que sempre trabalhei fora de casa, pude contar com a ajuda de outras mães, que deixavam seus filhos aos cuidados de outras mães ou creches, para me ajudar a cuidar da casa e das crianças, mas jamais tive o que chamam de babá. Nunca uma funcionária doméstica minha usou roupinha branca. E jamais tive “folguistas” nos finais de semana, pelo simples fato de que meu fim de semana era exatamente o momento em que mais podia ficar com meus filhos.
E sempre me deixou intrigada aquelas cenas, que vi muito por morar em um bairro de classe média alta em São Paulo. A mãe, com sua roupinha de ginástica, andando ao lado do carrinho do filho, empurrado pela babá. Também cansei de ver mares de babás no parquinho do clube, de eu ficava ali, suja de areia junto com os meus filhos, enquanto muitas mamães tomavam um solzinho calmamente na piscina. Sou sócia do Pinheiros, sim, aquele clube de o traje de serviçais é obrigatório. Vocês não têm ideia da quantidade de babás que têm ali. E elas ficam, vejam bem, nos dias de folga dos pais, finais de semana, cuidando das crianças, enquanto os genitores se distraem bem longe das crianças.
Também me recordo de uma festa infantil, Luiza tinha pouco mais de 4 meses, e eu era a única mãe com a filha no colo. Eu trabalhava de redatora em uma coluna social, e a colunista me convidou para o ano de sua menina. Confesso que fiquei chocada ao chegar. Todas as crianças, de diferentes idades, estavam com as babás, enquanto as mães bebericavam suas champanhes em uma sala reservada, longe daquela bagunça infantil. Não demorou para uma das dondocas perguntar se eu era a babá da minha filha, ainda que não estivesse “uniformizada”. Para ela, afinal, era incompreensível ver a própria mãe com a filha bebê no colo.
Sinceramente, acho triste e deprimente esses pais que, em pleno domingo, relegam seus filhos aos cuidados de terceiros. Criança não dá trabalho, criança requer cuidados, ouvi uma vez. E é isso. Colocar filho no mundo exige o mínimo de dedicação, de atenção e carinho.
Vi que o patrão ou no Facebook um textão em sua defesa, de que era um homem digno, que dava empregos, etc, etc, etc. Ele só se esqueceu de dizer que não exerce, como deveria, a sua paternidade. Assim como sua mulher, que prefere levar a guia do cachorrinho a empurrar o carrinho do filho. Que infelizes esses pais… que tempo estão perdendo.
The Que pais infelizes, esses da babá Blog da DB.
Fonte: Blog da DB

