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Semelhança dificulta diagnóstico

Transtorno que afeta pelo menos 15% da população mundial, diagnosticada com maior frequência pessoas mais jovens, principalmente as mulheres, a síndrome do intestino irritável é classificada como uma das principais causas das dores gastrointestinais recorrentes.

No entanto, função de uma classificação recente no que diz respeito às intolerâncias resultantes da ingestão de glúten, descobriu-se que a patologia nomeada de sensibilidade ao glúten não celíaca possui sintomas muito parecidos aos da síndrome do intestino irritável. O diagnóstico correto pode fazer a diferença àqueles pacientes que erroneamente são atribuídos ao problema intestinal, pois há possibilidade de apresentarem melhora com a adoção da dieta livre de glúten.

A gastroenterologista María Vázquez Roque diz que a síndrome do intestino irritável pode ser diagnosticada pela recorrência de dores ou problemas abdominais por, pelo menos, três dias no mês, um período de três meses, que melhoram após a evacuação. quot;O começo se evidencia por uma mudança na frequência da defecação e pela aparência das fezes. Os hábitos intestinais, por sua vez, flutuam entre a diarreia e a constipação".

Dentre os mecanismos potenciais envolvidos na síndrome do intestino irritável, destacam-se fatores genéticos e psicossociais, como estresse e ansiedade, hipervigilância do sistema nervoso central e alterações da motilidade e da sensação.

Também estão relacionados os transtornos da evacuação retal, que causam problemas graves ao paciente, tais como constipação, esforço excessivo, sensação de evacuação incompleta, distensão abdominal e dores abdominais no lado esquerdo, que podem ser aliviadas com a defecação.

De acordo com María Vázquez Roque, podem também se apresentar, por sua vez, transtornos espamódicos da evacuação, como o espasmo puborretal ou anismo, ou seja, a vontade de evacuar sem conseguir, no entanto, liberar o retal. Isso implica na insuficiência da relação normal dos músculos do assoalho pélvico na tentativa de defecação.

"Para chegar ao diagnóstico, é necessário examinar o paciente afetado, conhecer sua história, realizar uma manometria anorretal, o teste de expulsão do balão e, alguns casos, um proctograma de defecação", esclarece a gastroenterologista.

Há ainda os fatores irritantes da mucosa do cólon, mais especificamente a maior secreção de ácidos biliares nos pacientes que apresentam a síndrome do intestino irritável. Tal fator provoca o aumento da permeabilidade da mucosa, provocando um rápido trânsito do cólon, com contrações que se propagam amplamente.

Acompanhamento

Até o momento, existe uma série de produtos farmacêuticos que podem ser utilizados no tratamento da síndrome do intestino irritável. Entretanto, afirma María Vázquez Roque, a observação clínica tem demonstrado que os pacientes se encontram insatisfeitos com os fármacos disponíveis no mercado.

Desse modo, novos compostos estão surgindo, com mecanismos fisiológicos da ação diferentes, como os moduladores de ácidos biliares, que atuam na constipação, e os moduladores de serotonina, que trabalham nível do sistema nervoso central.

A síndrome é tratada a partir da gravidade dos sintomas. Mudanças na dieta e no estilo de vida são recomendadas nos casos mais leves. Em casos moderados, alia-se ao tratamento uma terapia psicológica.

Se a gravidade for ainda maior, pode ser necessária a utilização de drogas antidepressivas e o encaminhamento para uma clínica, visando o controle da dor. quot;Nesse último caso, o médico precisa discutir com o paciente a fixação de metas realistas para seu tratamento. Seja qual for a gravidade do problema, os pacientes devem entender claramente que é necessário seguir uma terapia, manter a continuidade do tratamento, buscar desenvolver a própria tranquilidade e se saber mais sobre a síndrome, para compreender melhor o que lhe ocorre", comenta María Vázquez Roque.

Evitar glúten é recomendação

Pesquisas recentes mostraram que um diagnóstico preciso pode detectar que, ao invés da síndrome do intestino irritável, o paciente sofre de sensibilidade ao glúten não celíaca, um dos transtornos relacionados à ingestão de tal substância. O glúten é uma proteína presente nos grãos de alguns cereais como trigo, centeio, aveia e cevada, além de pães, massas, bolachas, bolos e mesmo bebidas.

É necessário, portanto, prestar atenção às balagens dos produtos pois, de acordo com lei federal, todos os alimentos industrializados devem conter no rótulo as indicações se há ou não presença de glúten.

Quem possui a doença celíaca, uma patologia autoimune, provoca, ao consumir o glúten,uma inflamação crônica que impede a absorção dos nutrientes. Outro mal relacionado à proteína é a alergia ao trigo, definida como uma reação imunológica adversa às proteínas presentes tal alimento, incluindo o glúten.

Intolerância

A sensibilidade ao glúten, entretanto, diferencia-se por se tratar de uma intolerância à substância. Como os estudos a respeito são recentes, a doença ainda é motivo para vários questionamentos.

Não se sabe, por exemplo, se é um mal passageiro ou permanente, se os níveis de tolerância à substância podem variar com o decorrer do tempo e se existe a associação de algum outro componente que acarrete a intolerância ao glúten. Todas essas dúvidas a serem respondidas acompanham a dificuldade no diagnóstico, já que a sensibilidade à proteína é frequentemente confundida com a síndrome do intestino irritável.

"O que ocorre é que os sintomas das duas doenças são similares suas características clínicas, frequência e intensidade. Isso faz com que uma boa percentagem de pacientes afetados pela sensibilidade ao glúten receba um diagnóstico de síndrome do intestino irritável. Se continuar com uma dieta que contenha glúten, o problema nunca será solucionado", alerta María Vázquez.

Manifestação

Os sinais que levam ao equívoco nos diagnósticos são tanto gastrointestinais como extraintestinais. Os s costumam incluir a dor abdominal aproximadamente 77% dos casos, inchaço, 72% das ocasiões, constipação e diarreia.

Além disso, muitos pacientes relatam fadiga, confusão mental, dor de cabeça, dor muscular ou articular, eczema ou alergias na pele, insensibilidade nas pernas ou braços, depressão e anemia.

"Lamentavelmente, não há um marcador de diagnóstico adequado para identificar os pacientes sensíveis ao glúten e também não se conhece a história natural desse problema de saúde. No caso da síndrome do intestino irritável, já foi testada uma dieta denominada ‘dieta baixa FODMAPs’, o que significa que ela não contém oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos, monossacarídeos nem polióis", conta a gastroenterologista.

Diferenças

Síndrome do intestino irritável

1.É um dos problemas gastrointestinais mais recorrentes, sendo diagnosticado milhões de pessoas todo o mundo
2. As causas e os mecanismos da doença ainda são pouco conhecidos pelos especialistas, por isso não se sabem as formas de prevenção nem o tratamento específico
3. A alteração dos hábitos alimentares, com acompanhamento médico, é hoje uma das maneiras mais eficazes no combate à síndrome do intestino irritável

Sensibilidade ao glúten

1. É uma intolerância ao glúten diagnosticada após descartar a hipótese de doença celíaca, patologia autoimune com predisposição genética, e a alergia ao trigo
2. Se caracteriza pelo aparecimento dos sintomas gastrointestinais logo após a ingestão de glúten, que desaparecem com a exclusão da proteína da dieta
3. ser um diagnóstico clínico recentemente descoberto, não se sabe se a sensibilidade ao glúten é um mal permanente ou transitório

Ranniery Melo
Repórter

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Fonte: Vida

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