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Vida de caminhoneiro: histórias de quem vive pelas estradas do Brasil

O transporte rodoviário é o principal modo de deslocamento de carga utilizado no Brasil. Estima-se que 65% de tudo o que é produzido é trasportado por caminhões, fazendo com que a figura do caminhoneiro seja uma das mais importantes para o funcionamento do país. A vida na estrada é cheia de aventuras e desafios, alegrias e tristezas. Ser um caminhoneiro significa passar por dificuldades, viver longe da família, viajar pelo país e, acima de tudo, ter histórias para contar.

Francisco Olavo , 50 anos de idade e 30 de caminhão, CE

Natural de Juazeiro do Norte, Olavo é dono de seu próprio veículo, um caminhão de carroceria. O caminhoneiro começou no ofício, paixão pela estrada que herdou do pai. Hoje, aos 50 anos de idade, o freteiro prefere não viajar para muito longe de casa, fazendo percursos apenas entre o Cariri e a Região Metropolitana de Fortaleza. “Assim eu só fico de 2 a 3 dias longe de casa”, explica.

Apesar do amor pela profissão, Francisco diz que para ser motorista é preciso vontade de trabalhar e coragem. “Sair para a estrada é como sair para uma guerra, pois você não sabe quem ou o que vai encontrar por lá”, relata. O caminhoneiro fala que já passou por um grande susto nesses 30 anos de carreira. Há 20 anos, ele foi assaltado na estrada enquanto transportava um carregamento de eletrodomésticos. Na ocasião, ele foi parado por um homem armado que roubou o caminhão e o deixou na estrada nu e amarrado. “Cerca de 3 horas depois, passou um rapaz um bicicleta. Ele não parou, mas foi pedir ajuda. Pouco tempo depois a polícia, que me desamarrou, e um dos soldados até prestou uma blusa para eu me vestir”, lembra.

Além da insegurança, o fretista diz também diz que um dos maiores desafios de um motorista autônomo de pequeno porte é vencer as dificuldades financeira. Olavo confessa que já precisou recorrer a agiotas para continuar trabalhando. Para ele, o maior patrimônio de um caminhoneiro é o nome, então, às vezes é preferível se endividar e manter o cliente cumprindo os prazos do que recusar o serviço e perder o freguês. 

Davi Rosa de Melo, 38 anos de idade e 15 de caminhão, RS

Diferente da maioria dos caminhoneiros, que seguiram a trilha do pneu de algum familiar, o gaúcho Davi entrou na profissão ao se alistar no exército. “No quartel, a gente tinha que escolher um função e eu preferi ser motorista”, conta.

Ao sair das forças armadas, Davi diz ter conseguido logo um prego como fretista e acabou permanecendo no ofício até hoje. “Eu até pensei mudar de área, mas eu já me aperfeiçoei como caminhoneiro, então não vale a pena fazer outra coisa e ganhar menos”, explica.

Atualmente, o gaúcho é funcionário de uma presa e trabalha fazendo carregamentos do Rio Grande do Sul até Fortaleza. Ele diz que uma das maiores vantagens de ser caminhoneiro é poder viajar e conhecer todo o Brasil. “A presa é muito tranquila, não fica cobrando prazo e dá até uns dias para a gente conhecer as cidades”, conta. 

Davi diz que, às vezes, dá até para levar a família entre uma entrega e outra. Desta vez, o acompanhante escolhido foi o cunhado, Gilson Pereira, que aproveitou as férias para viajar um pouco e conhecer a vida de caminhoneiro. E o verdito de Gilson? A jornada é bastante interessante, mas muito cansativa, pois são 20 dias longe de casa.

Posto São Cristóvão

Uma das maiores dificuldades dos caminhoneiros é a falta de os de suporte nas estradas de eles possam estacionar o veículo, descansar, comer, passar a noite ou ter atendimento médico. Muitos motoristas reclamam que até usar o banheiro é difícil, pois alguns os só liberam espaço para veículos a clientes, ou seja, aqueles que compram combustível.

Uma das exceções a essa prática é o Posto São Cristóvão, no km 15 da BR-116, Fortaleza. De acordo com o gerente de pista do estabelecimento, Fabiano Ferreira, o local tenta oferecer tudo aquilo que os fretistas precisam como estacionamento com segurança armada, oficina, lavanderia, banheiro, lan house, massagem, acesso a hospital e missa. Há ainda serviço de disponibilização de carga, venda de veículo e peças, distribuição de preservativos e até festas. 

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Fonte: Vida

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